
O tráfico humano, também chamado de tráfico de
pessoas, é uma das atividades ilegais que mais se expandiu no século
XXI, pois, na busca por melhores condições de vida, muitas pessoas são
ludibriadas por criminosos que oferecem empregos com alta remuneração.
Esses “agentes” atuam em escala regional, nacional e internacional,
privando a liberdade de indivíduos que sonham um futuro melhor.
De acordo com o Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra
o Crime Organizado Transnacional relativo à Prevenção, Repressão e
Punição do Tráfico de Pessoas, em especial de Mulheres e Crianças, o
tráfico humano é caracterizado como: “o recrutamento, o transporte, a
transferência, o alojamento ou acolhimento de pessoas, recorrendo à
ameaça ou uso da força ou outras formas de coação, ao rapto, à fraude,
ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à
entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o
consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins
de exploração.”
Portanto, o tráfico de pessoas consiste no ato de comercializar,
escravizar, explorar, privar vidas, ou seja, é uma forma de violação dos
direitos humanos. Normalmente, as vítimas são obrigadas a realizar
trabalhos forçados sem qualquer tipo de remuneração – prostituição,
serviços braçais, domésticos, em pequenas fábricas, entre outros –, além
de algumas delas terem órgãos removidos e comercializados.
As vítimas já chegam endividadas ao destino de “trabalho”, pois elas têm
que pagar aos traficantes valores elevadíssimos referentes à viagem,
hospedagem, documentação, alimentação, roupas, etc. O problema é que
essa dívida, através da cobrança de juros altos, toma proporções de
forma que nunca poderá ser paga. Sendo assim, os criminosos passam a
ameaçar e torturar os “devedores”.
As mulheres são o principal alvo, pois o retorno financeiro para os
traficantes é maior, visto que a prostituição, atividade mais
desenvolvida por pessoas do sexo feminino, é o destino de 79% das
vítimas do tráfico humano. O trabalho forçado, exercido por homens,
mulheres e crianças, representa 18%. Essa atividade movimenta cerca de
32 bilhões de dólares por ano, privando a vida de mais de 2,5 milhões de
pessoas.
Por Wagner de Cerqueira e Francisco
Graduado em Geografia